quarta-feira, 2 de março de 2011

Entrevista especial: Por onde anda o Ginga...

No Brasil onde infelizmente pouco se investe em Pesquisa e Desenvolvimento e, em especial, na indústria nacional de tecnologia, o Ginga, um middleware - software intermediário que permite o desenvolvimento de aplicações interativas para a TV Digital - ficou famoso internacionalmente pela sua qualidade e inovação e já foi adotado por diversos países. Mas, ainda luta pelo reconhecimento do mercado brasileiro.

A tecnologia é resultado de anos de pesquisas lideradas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e reúne um conjunto de tecnologias e inovações brasileiras que o tornam a especificação de middleware mais avançada e adequada à realidade do país.

Para saber mais sobre a situação atual do Ginga, o Instituto Telecom conversou com Luiz Fernando Gomes Soares,  Coordenador do Laboratório TeleMídia da PUC-Rio e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Ginga. Confira abaixo a entrevista especial para o Nossa Opinião desta semana. 

1)Como a utilização do Ginga pode auxiliar na melhoria de vida para a população?

Fernando Gomes - Uma das características mais importantes da TV digital é a integração de uma capacidade computacional significativa no dispositivo receptor, permitindo o surgimento de uma vasta gama de novos serviços, como a oferta de guias eletrônicos de programas, o controle de acesso e a proteção de conteúdo, a distribuição de jogos eletrônicos, o acesso a serviços de utilidade pública (serviços bancários, serviços de saúde, serviços educacionais, serviços de governo etc.) e, em especial, os programas não-lineares (programa de TV composto não apenas pelo áudio principal e vídeo principal, mas também por outros dados transmitidos em conjunto. Por isso TV digital é um caso particular de sistemas hipermídia.


2) Qual é a situação atual do Ginga? Ele está parado, existe alguma ação, ou projeto por parte do governo e da indústria de inseri-lo no mercado?

FG- Em 2009 a linguagem NCL¹ e o middleware Ginga-NCL foram escolhidos como Recomendação UIT-T (Setor de Normatização das Telecomunicações da União Internacional de Telecomunicações) para serviços IPTV². Era a primeira vez que o país tinha um padrão mundial na área das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação). Era o reconhecimento internacional que tínhamos a melhor proposta de middleware declarativo. NCL e Ginga-NCL são os únicos padrões SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital) obrigatórios para todos os tipos de terminais (fixos, móveis e portáteis) e são os únicos padrões multiplataforma, para TV terrestre, satélite e IPTV.

O Ginga-NCL está pronto e implementado por diversos fabricantes desde 2007. O que ficou parado foi a parte Java, por problemas de royalties, inexistentes no Ginga-NCL.Desde o início de 2010, entretanto, a parte Java também estava pronta, como proposta pela Oracle (na época SUN).Vários produtos hoje do mercado tem o Ginga embarcado, no Brasil e no exterior.

O que falta são mais aplicações no ar, por consequência de um modelo de negócio ainda não muito entendido quanto à exploração da interatividade.

3)Por que o Ginga ainda não chegou à população de fato? A incorporação deste middleware pode encarecer os aparelhos de TV?

FG-  Apenas com o Ginga-NCL encareceria pouquíssimo, com a parte Java encarece bem mais, mas mesmo assim, o custo de se ter o Ginga é muito baixo. Acontece que na área de eletrônica de consumo a escala é muito grande e qualquer “parafuso” a mais, quando multiplicado por milhões de aparelhos, representa um investimento alto. Então se economiza em tudo.

4)O que foi a campanha “TV Digital sem Ginga Não!” e qual a sua repercussão?

FG-  O que tem ficado cada vez mais óbvio é que ter apenas uma imagem bonitinha não basta. Não é aí que está a revolução dessa nova tecnologia. Aliás, o mote da campanha era: “bonitinha que só, mas sem Ginga dá dó”.

Além de tudo, não podemos esquecer que um dos grandes motivos para a definição do SBTVD foi a inclusão social. Inclusão social não existe sem interatividade.

5)O Ginga já está sendo utilizado por outros países, como por exemplo, a Argentina. Por que isso está acontecendo primeiro lá fora do que aqui?

FG-  Uma das razões foi por eles terem escolhido manter só o Ginga-NCL, por na época ser a solução já um sucesso (o Java ainda estava sem definição), permitir a construção de terminais de mais baixo custo, por possibilitar que esses países também se apropriassem do conhecimento e da tecnologia, e pelo fato de Ginga-NCL ser o único padrão para todos os tipos de TVs terrestres e também para serviços IPTV.

Hoje são vários os países que já adotaram o Ginga. Na América Latina temos: Brasil, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai, Costa Rica.
Uma das razões pelo grande avanço da Argentina foi o plano de popularização do set-top box³ com interatividade proporcionado pelo governo, com grande apoio das emissoras públicas no desenvolvimento de aplicações NCL-Lua.

6)O Ginga já está no mercado brasileiro?

FG-  Ele já está no mercado: TVs da LG, Sony, Semp-Toshiba, Phillips; celulares da Nokia, set-top de vários pequenos fabricantes já são vendidos com o Ginga. Os radiodifusores, embora  ainda timidamente, já têm várias aplicações no ar.

7) Alguma política por parte do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) , ou Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) está sendo feita para introduzir o Ginga no mercado brasileiro?

FG-  O apoio do governo ao Ginga foi total. Não podemos reclamar. Podia ter sido feito mais? Sempre pode. Os financiamentos têm sido penosos para as universidades e institutos de pesquisa, algumas vezes mal direcionados, mas é natural, até porque o país também está aprendendo nesta parte de inovação tecnológica.

Quanto ao financiamento das empresas e política industrial, aí é outra coisa e não tenho dados para opinar.

8) O mercado de radiodifusão brasileiro quer o Ginga, ou ainda existe alguma resistência?

FG-  O radiodifusor é muito complexo. Eles dizem que querem o Ginga, desde o princípio, mas colocaram muitas barreiras sim, principalmente para as inovações brasileiras, que primeiramente tiveram de ganhar a credibilidade internacional, antes de ganhar credibilidade aqui. Infelizmente muitos ainda não acreditam que o Brasil pode desenvolver tecnologia de ponta. O Ginga é só um exemplo bem sucedido, por uma série de fatores não apenas técnicos. Mas tem muita coisa boa desenvolvida nas Universidades e que estão perdidas por aí. Se acreditassem mais nas universidades, não só no discurso, muito mais Gingas surgiriam.

Hoje eu diria que não existe uma resistência à interatividade, mas sim um modelo de negócio mais claro e bem definido.

9) Você acha que com a possibilidade das teles entrarem no mercado de TV por assinatura o Ginga pode ganhar apoio das empresas e se tornar um diferencial competitivo?

FG-  Acredito e aposto muito nisto. NCL e Ginga-NCL, como disse, são padrões mundiais UIT-T para serviços IPTV. Acredito também que o sonho da inclusão social de fato, não apenas no acesso a informação, mas também na geração de conteúdo, vá ter um impulso muito grande com a convergência de serviços IPTV com a TV aberta. Vai haver resistência? Vai. Pois, infelizmente, muitos ainda entendem a convergência como substituição, erradamente. Convergência é integração, complementação.

10) Você acha que a sociedade precisa conhecer melhor o Ginga? Existe algum movimento civil para pressionar o governo a utilizá-lo?

FG-  A sociedade vai conhecendo a interatividade aos poucos. Mas uma das maiores vantagens de NCL é o fato de que o desenvolvimento de conteúdo interativo pode ser feito de forma muito fácil, sem a exigência de especialistas. Ou seja, NCL é uma tecnologia ao alcance de todos. Meu sonho é ver muito em breve TVs Comunitárias, Pontos de Cultura, Telecentros fazendo produções em NCL. Aguardem o Programa Ginga Brasil com esse enfoque.

 ¹ NCL: é uma linguagem declarativa para especificação de documentos hipermídia baseada no modelo conceitual NCM - Nested Context Model (modelo de contextos alinhados).
 ²IPTV: Método de transmissão de sinais televisivos através do protocolo IP (Protocolo de Internet)
 ³ Set-top box : Conversor externo para TV Digital3


Fonte: Instituto Telecom

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Tributação do ICMS sobre lojas online na Bahia é ilegal e injusta para o consumidor

Prática, que incide sobre compras pela internet e telefone, pode acarretar em quebra na isonomia entre consumidores do mesmo produto.

Começou na Bahia e outras Secretarias da Fazenda já estudam fazer o mesmo. Em 1º de fevereiro entrou em vigor no estado baiano a cobrança dupla do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) para compras feitas pela internet ou telemarketing. O tributo deveria incidir apenas no estado de origem do produto - nesse caso, no Sudeste, onde está sediada a maioria das lojas online. Agora, a Bahia quer levar sua fatia de ICMS, impondo a cobrança também no estado de destino da compra.

O Idec repudia essa forma de tributação, pela onerosidade excessiva imposta ao consumidor, que no "final das contas", acaba pagando pela mudança na incidência do imposto. "Embora quem recolha o ICMS seja a empresa, ela inclui esse valor no preço final do produto. Logo, na verdade, o consumidor é o contribuinte e a empresa é o responsável tributário", declarou a gerente jurídica do Idec, Maria Elisa Novais.

Segundo o diretor de marketing e produtos da consultoria especializada em comércio eletrônico e-Bit, Alexandre Umberti, por enquanto, as lojas virtuais estão conseguindo liminares na Justiça para fugir do recolhimento duplo. "Por enquanto, nenhuma loja alterou o preço (para os consumidores baianos). Não temos verificado que o sistema delas informe cobrança a mais devido ao ICMS. As lojas que não conseguiram liminares estão arcando com o custo e aguardando os julgamentos, porque elas têm consciência da inconstitucionalidade", explicou Umberti.

O executivo adianta que os estados do Piauí e do Pernambuco também estão tentando fazer essa cobrança de ICMS no destino do produto. Há notícias ainda de que o Amazonas estaria caminhando nessa direção. "Percebemos que estas mudanças são muito mais uma maneira de chamar a atenção para a discussão do rateio dos impostos, do imbróglio tributário que é a distribuição entre os estados brasileiros. A discussão transcende o comércio eletrônico", opina Umberti.

O Idec condena a decisão da Sefaz/BA (Secretaria de Estado da Fazenda da Bahia) e de qualquer outra que seja aprovada. "A iniciativa onera o consumidor baiano e dos demais estados que adotarem essa política tributária a qual poderá, sim, acarretar uma quebra na isonomia entre consumidores de um mesmo produto", acrescenta Maria Elisa. Segundo ela, o que não pode ocorrer, de forma alguma, é a diferenciação de preços sem uma razão maior, como o serviço de frete, por exemplo, o que se caracterizaria uma prática ilegal à luz do CDC (Código de Defesa do Consumidor).

Fonte: IDEC

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um dia feito de vidro!




Engraçado, há algum tempo quando ouvíamos falar em CD ficávamos abismados, ..., quando falaram em rede sem fio então, aiai! Agora, assistindo este vídeo eu compartilho o mesmo sentimento que meus avós tiveram quando ouviram falar em uma máquina chamada de COMPUTADOR.

Neste momento me sinto uma pessoa à margem da tecnologia. kkkk
Mas fico muito feliz em saber que o intervalo para evolução/divulgação de novas tecnologias diminuem cada vez mais.

Espero viver tudo isso e um pouquinho mais.

ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES DO CINTEQ 2011 - Evento de Testes e Qualidade de Software do Brasil!

Inscreva-se hoje mesmo e garanta seu lugar no CinTeQ 2011, o mais importante evento de Testes e Qualidade de Software do Brasil.
O evento ocorrerá nos dias 28 e 29 de março e reunirá importantes palestrantes nacionais e internacionais.
Um dos convidados internacionais é Rex Black (RBCS).

Rex Black

Com uma experiência de 25 anos em engenharia de software e sistemas, Rex Black é presidente da RBCS, empresa líder em testes de hardware, software e sistemas.
Ex- presidente do ISTQB (International Software Testing Qualifications Board) é o atual representante internacional do ASTQB (American Software Testing Qualifications Board).
Rex Black também é o autor mais eloquente no campo de teste de software. O primeiro de seus seis livros publicados, “Gerenciando o Processo de Teste”, vendeu mais de 25 mil cópias em todo o mundo.
Escreveu mais de vinte e cinco artigos, apresentou centenas de workshops e seminários e foi “keynote speaker” em aproximadamente 30 conferências e eventos ao redor do mundo.

Não perca esta oportunidade única de ouvir Rex Black no CinTeQ 2011 e aproveite para ouvir outros renomados palestrantes:
Bernard Homès - TESSCO Technologies
Chris Rupp - IREB / SOPHIST GmbH
Erik Van Veenendaal - Improve Quality Services BV

Vagas limitadas! Faça hoje mesmo sua inscrição pelo site www.cinteq.org.br

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Vaga de Emprego

Atenção: A Web E Mídia Seleciona vendedores e estagiários de Marketing para atuarem na área de vendas para site de compras coletivas. 

Benefícios: R$ 800,00 + Comissão de 10%

Envie seu currículo para rh@webemidia.com.br

Governo do Pará repudia prefeito de Manaus, que mandou moradora paraense "morrer"


Leia abaixo a íntegra da nota do governo paraense:
Diante do lamentável fato ocorrido na última segunda-feira (21) na cidade de Manaus, capital do Estado do Amazonas, amplamente divulgado pela imprensa e pela internet, envolvendo uma cidadã paraense e o prefeito daquele município, sr. Amazonino Mendes, o Governo do Estado do Pará se sente no dever de fazer as seguintes considerações:

1. É inaceitável que, em qualquer circunstância, um ser humano sofra qualquer espécie de discriminação. É deplorável, portanto, a atitude de uma autoridade pública, eleita pelo povo, que, ante um grave problema social, mostra desequilíbrio e destempero. Não satisfeito em dizer à mulher "morra!", o prefeito, ao saber que ela é paraense, destilou ironia e sarcasmo, dizendo "então está explicado", querendo insinuar que a atitude da mulher, cobrando por providências em uma área onde ocorreram desabamentos e mortes, se devia ao fato de a mesma ser oriunda do Estado do Pará.

2. Certamente, a atitude do prefeito não reflete o pensamento da maioria dos manauaras e amazonenses, que há séculos lutam bravamente com seus vizinhos amazônidas por uma sociedade mais justa e fraterna, e por uma Amazônia respeitada, nacional e internacionalmente.

3. É fato que muitos paraenses migraram para Manaus em busca de novas oportunidades. Como é fato, também, que muitos amazonenses (e brasileiros de todos os demais Estados) para cá vieram, todos em busca de um futuro melhor, em uma terra que os acolheu fraternalmente. Em ambos os casos, os povos amazonense e paraense receberam os migrantes de braços abertos, e não haveria outra maneira de fazê-lo, já que somos todos brasileiros.

4. O Pará, com seus imensos recursos naturais, sempre contribuiu para o desenvolvimento do país, respondendo decisivamente para o superávit da balança comercial graças às exportações, que, malgrado sua importância, não têm compensado os paraenses como deveriam. As injustiças fiscais estão entre as razões dos desequilíbrios regionais, pobreza e subdesenvolvimento, que, somados, forçam o povo a sobreviver, muitas vezes, fora da terra natal. A realidade é dura para todos na Amazônia, e é incompreensível que haja rancores entre nós e, lamentavelmente, alimentados por uma autoridade pública.

5. O Pará, formado pela soma de várias naturalidades e nacionalidades, lamenta o episódio ocorrido em Manaus, mas compreende que, acima de tudo, está a fraternidade entre os povos que sofrem e lutam por uma melhor qualidade de vida para todos, sem discriminação.
Por um Pará unido, por uma Amazônia unida, por um Brasil unido.

Primeira Conferência Brasileira sobre JavaScript

Aporta em Fortaleza-CE a primeira conferência brasileira exclusiva sobre Javascript e todo seu ecossistema, palestras desde bancos de dados NoSQL a servidores node.js, passando por dispositivos móveis e Frameworks 5 estrelas como Extjs e Jquery. 


Um Keynote já confirmado é o membro do núcleo do time de desenvolvimento do JQuery, Richard D. Worth http://jquery.org/team#richard-d-worth

Não percam http://braziljs.com.br/2011#!/home e acompanhem o @braziljs pelo twitter